teste

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Os Nobeis e o Perfeito

Thaler: parabéns! Muito bom mesmo, você merecia. Puta pesquisador e cara legal.


A economia mainstream precisa de gente como Thaler, que pesquisa de maneira séria a validade de alguns postulados comumente empregados e pouco questionados por nós no dia-à-dia do chão de fábrica dos modelos e estimações.


As pessoas não poupam quanto deveriam, mas se o formulador coloca o default de contribuição de um plano de aposentadoria num patamar mais alto, elas automaticamente poupam mais. Faz um rio de diferença para o futuro. Há aversão à perda: as pessoas sofrem mais em termos de função utilidade com payoffs negativos do que se sentem felizes com payoffs positivos. Há tendencia a procrastinar. Há também estranhas falhas de Mercado: o valor de fundo com ABCDEF na carteira é menor do que o valor de A B C D E F.


Tem NUDGES agora em todos os cantos do mundo, graças a você, meu velho. Um empurrãozinho na direção de fazer a coisa certa, um papel claro para os formuladores de policy. Que belo exemplo aquele de vocês no caso da merenda das crianças: esconde o chocolate lá atrás e coloca o broccoli logo na frente, exposto; ou aquela maçã viçosa. Paternalismo liberal é o que há. Mais disso e menos BNDESess da vida.


Thaler, deixa eu te dizer: tem um brasileiro chamado Perfeito que disse que sua pesquisa é um ramo bastardo da area de pesquisa dele. Que você e outros zé manes como o Kaheman apenas perpetuam o erro neoclássico fundamental, seja lá o que for essa porra.  Ele grandiosamente argumenta que há um mundo de diferença entre a psicologia e a psicanálise -- vai saber o que o cidadão quer ressaltar com esse truismo...


Mas não liga não, continua com tudo que a gente agradece. Deixa o Perfeito vivendo lá no mundo paralelo dele.


Abraços


Doutrinador

Reações:

22 comentários:

muito bom

andre perfeito é ridículo

E lá no Mises:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2779

O André Perfeito Idiota deveria aprender a fazer uma regressão linear, antes de ficar por aí chamando a economia neoclássica de religião. Religião é achar um R² de 0,99.

Doutrinador, como parece que você resolveu escrever para os mortais quem é esse Perfeito? Quanto aos Nudges: esperar que nossos políticos e funcionários públicos abandonem o atual paternalismo autoritário ?

"Mais disso e menos BNDESess da vida."

Poderia dar algum exemplo prático disso?

Cara, não caía no engodo, ele apenas pede intervencionismo do bem?? (existe isso)?

Obrigar um cara a poupar mais, é certo?
Aumentar o preço de junk food em nome de saúde, é certo?
Proibir o uso de combustíveis fosseis, é certo?
Quem vai determinar o que é certo se todos são irracionais?

Se é liberalismo o individuo é soberano, não cabe na mesma frase paternalismo,
não é mais fácil deixar que cada um trilhe seu caminho?

E qual proibição que os seres irracionais não burlam?

Perfect vai fazer uma teoria que explica os juros altos com base no complexo de edipo.

Carlos Eduardo, o que vc sabe sobre BNDES? Nao consigo entender essa sua raiva. Parece que vive pesquisando sobre e encontrando evidencias conclusivas...

Você poderia nos apresentar as razoes, assentadas nos trabalhos do Thaler, pelas quais você possa corroborar a sua aceitação plena deles? Existem aplicações práticas dos resultados ou tudo se passa no terreno da modelagem, das ideias?

"Carlos Eduardo, o que vc sabe sobre BNDES? Nao consigo entender essa sua raiva. Parece que vive pesquisando sobre e encontrando evidencias conclusivas..."

Não sou um pesquisador acadêmico, mas posso dizer algumas coisas sobre o BNDES:
- Cerca de 77% do dinheiro emprestado pelo BNDES foi para 1% de seus devedores, uns 3000 clientes;
- Esses clientes seletos são principalmente grandes empresas e consórcios capazes de se financiar sem ajuda do governo;
- Assim, em muitos casos o BNDES financiou projetos que ocorreriam de qualquer forma a juros subsidiados e meramente garantiu lucros maiores aos devedores;
- Bastante dinheiro foi empenhado a projetos que não trazem benefícios à população brasileira (estádios de futebol, obras em outros países, concentrar o mercado de frigoríficos, etc.);
- Todo o dinheiro emprestado ao BNDES poderia ser usado para causas mais meritórias e menos custosas.

Em suma, o banco é uma máquina de transferir recursos da população aos amigos do rei. Agora deve restar claro de onde vem a oposição ao BNDES.

Carlos,

Desculpe-me a intromissao, mas gostaria de fazer alguns comentarios que podem jogar luz nessa discussao (sempre polemica) sobre BNDES.

- Dentro desses 77% de rescursos emprestados para 1% de tomadores estão empréstimos para o setor público, com diversos projetos com retornos sociais positivos e que tenho certeza que você desconhece em detalhes (estão no site do BNDES, caso tenha interesse em conhecer). Além disso, estão empréstimos para empresas exportadoras, tradicionalmente grandes empresas (incluindo Embraer, que a literatura de strategic trade policy não desaconselharia apoio estatal).

- O BNDES nao foi criado para atuar com MPMEs. Nunca foi seu mandato, ainda que a literatura de BDs recomende isso e eu concorde que deva ser isso. Na verdade, as iniciativas como cartao BNDES surgiram por iniciativa propria do Banco, e nao como uma escolha da sociedade. Acredite em mim, pode nao parecer, mas o BNDES é um banco publico que faz o que a sociedade escolhe. Inclusive o PSI, que em nada agradou ao corpo funcional do banco, foi uma escolha da democracia (concebida pelo governo eleito e aprovada pelo congresso, incluindo os diversos aportes de recursos). Se queremos que o BNDES atue somente com MPMEs e credit constraint, que a gente puxe a discussao sobre o mandato ideal do BNDES.

- Grandes empresas podem sofrer restricao de credito tambem. Um projeto de infra, por exemplo, mas tambem diversas plantas industriais, podem nao encontrar financiamento de longo prazo a ponto de viabiliza-los (considerando que tragam retornos sociais superiores ao custo da politica). A principio, eu concordaria com voce, mas o assunto não é obvio, como voce gostaria que fosse.

- Some os "diversos projetos que nao trazem beneficio à populacao brasileira" e veja se sao representativos da atuacao do banco. Confesso que nao sei, mas sem numeros nao condenaria uma instituicao que possui excelente corpo tecnico (meus contatos com tecnicos do banco sempre foram muito bons). Alem disso, frigorificos foram apoiados com recursos de mercado, nao com TJLP, o que faz toda diferenca e nem sempre as pessoas sabem quando discutem bNDEs.

- Concordo que existem sempre prioridades e precisamos sempre mapea-las na hora de aplicar recursos publicos. Mas se de fato queremos levar isso a serio, nao deveriamos focar bizarramente no bNDES, dadas as poucas e controversas evidenciais disponiveis sobre a atuacao do banco, sobretudo porque a TLP ja foi aprovada.

Um abraço, Julio Oliveira

Uma das grandes diferenças entre a psicologia e a psicanálise reside justamente no fato de que a psicologia tem grande evidência empírica... já a psicanálise...
De fato o Perfeito é heterodoxo até em seus hobbies.

P.s.: Mônica de Bolle também deu uma alfinetada no uso da matemática na economia. Seus defensores argumentam que ela não disse que a matemática não é necessária, mas que não só de matemática se faz a economia. Acho um desserviço às nossas graduações, já que uma carrada de gente reprova em cálculo, imagina com uma referência dizendo a eles que a matemática não é tudo isso.

Eu não sou Carlos. De todo modo:

- A concentração dos empréstimos se mantém quando excluímos empréstimos feitos a órgãos da administração pública direta. Mesma coisa, 1% dos clientes detém 77% do valor emprestado.
- Se o mandato do BNDES envolve financiar justamente empresas que têm maior acesso a crédito, frequentemente sem critério (ou a JBS, a 50ª maior captadora de empréstimos, tinha projetos que apresentam externalidades positivas?), e até recentemente a juros subsidiados, parece-me ainda mais perdulário.
- Se estiver interessado nos projetos, recomendo que baixe a planilha de operações não automáticas do BNDES, que correspondem a 56% do valor emprestado declarado de 2002 a julho de 2017. Esta planilha especifica os projetos, inclusive os tais estádios de futebol. (link: https://www.bndes.gov.br/wps/wcm/connect/site/f14610e3-b3f9-41f8-92b5-f8ec02f41ca4/BASE_CONTRATA%C3%87%C3%95ES_VSITE+-+20171010.xlsx?MOD=AJPERES&CACHEID=ROOTWORKSPACE.Z18_7QGCHA41LORVA0AHO1SIO51085-f14610e3-b3f9-41f8-92b5-f8ec02f41ca4-lMrQW39)
- Enfim, se o BNDES fianciasse para projetos bons que não sairiam sem apoio do governo e não tomasse recursos de causas mais urgentes, eu não teria problema. Quem sabe agora as coisas melhorem; até há pouco, o banco ia além de seus objetivos.

O Saavedra ta parecendo a "Miriam BigPig" escrevendo pros seus leitores investidores de títulos de capitalização.

É verdade, BigPig; ainda que, em QUANTIDADE DE PROJETOS FINANCIADOS, o BNDES tenha direcionado mais de 70% a MPME's, em VALORES essa proporção se inverte.

Na cabeça do BigPig, na hora de financiar infraestrutura, por ex, um porto com uns R$ 10 bi de investimentos, deveríamos procurar apenas empresas com um ROL de R$200 k. Faz todo sentido!!!!!!

Não disse em momento algum que o BNDES deveria financiar empresas menores. Disse que o BNDES deve ser mais judicioso. Se o projeto é viável sem ajuda do governo ou não apresenta externalidades positivas, o BNDES não é necessário.

O que observamos foi um uso indiscriminado do banco: um aporte gigantesco do Tesouro, empréstimos subsidiados a empresas capazes de se financiarem por conta própria para projetos espúrios. Deixaram-se causas mais meritórias à míngua, criou-se uma meia-entrada para os mais ricos à custa do resto da população e de um desastre fiscal, mas, em compensação, o retorno foi pífio e nossa infraestrutura ainda deixa muito a desejar. Enfim, não precisamos do BNDES do jeito que ele era até 2015.

Saavedra, o fato é que seu bla bla bla pode ser facilmente rebatido com outros bla bla blas. Esse é o fato que importa. O autor do post falou coisas que fazem sentido sobre o BNDES, mas são hipóteses. Nao há evidencias que o BNDES efetivamente tenha concentrado renda no Brasil. Existe uma hipótese. E, a rigor, hipóteses contrarias tambem existem. O ideal seria fugir do bla bla bla e buscar evidencias. Politica publica séria se faz sobre evidencia robustas. Politicas publicas com base em bla bla bla sao aquelas feitas pelo governo que inchou o bNDES, que voce tanto critica.

Um abaço

Economista K

Não seja por isso, Economista K. Há um par de artigos a respeito em que me apoio (links abaixo).

https://www.insper.edu.br/conhecimento/estrategia-e-gestao/banco-de-desenvolvimento-e-bom-para-quem-tem-caixa/
https://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps378.pdf

“Nao há evidencias que o BNDES efetivamente tenha concentrado renda no Brasil.”

Imagine! Desde quando dar dinheiro subsidiado para rico concentra renda? Deve é ter melhorado a vida dos pobres...

Vejamos a pérola do insper
"O problema é que, se bancos de desenvolvimento persistirem em oferecer subsídios apenas para empresas com a maior capacidade de quitar seus empréstimos, bancos privados podem se tornar relutantes a investir em empresas menores"

o que uma coisa tem a ver com a outra, só mesmo o unicórnio da cabeça do autor pra explicar

" e mais têm a perder no mercado de crédito, apontam os especialistas."

Que conclusão revolucionária do especialista!!!!

"recomendação de política pública é clara: o banco deveria enfatizar firmas com bons projetos e com reais restrições de crédito;"

Que bons projetos seriam esses? Se são bons pq há restrição de crédito? pq o privado não aproveita esse filão?

E Alex,

Distribuir renda mesmo só aumentando os juros. O trabalhador assalariado sem patrimônio ganha mt com isso. O bndes pelo menos gera emprego

Grande Saavedra,

Mais uma vez, você não mostra que o BNDES pirou a distribuição de renda. Apenas cuspiu (como sinal de desespero, talvez?) dois artigos que tentam ver impacto do BNDES no investimento. Mas, tudo bem, vamos analisar estes artigos.

E não sei se percebeu, ainda que os dois artigos mostrem evidência de que o BNDES não ampliou o investimento de empresas abertas, ambos encontram resultados bem distintos quanto ao impacto do BNDES nos gastos financeiros das empresas. O trabalho do Lazzarini mostra que a empresa tomadora de recursos no BNDES não investiu a mais por isso e reduziu seus gastos financeiros. Já o trabalho do Bonomo mostra que a empresa que tomou recursos diretos no BNDES não investiu, mas, surpreendentemente, piorou seus gastos financeiros (sim, coeficiente positivo e estatisticamente significativo no pós crise). Somente por isso eu já acenderia uma luz amarela quanto aos estudos. Afinal, estamos tratando do mesmo universo de empresas de capital aberto.

Aprofundando, pois, a análise desses artigos, percebo que a equação estimada para o que determina o investimento das firmas considera dados anuais e o BNDES influenciando o investimento com defasagem de um ano. Para quem não sabe, o BNDES tipicamente reembolsa um investimento já realizado e 50% dos desembolsos acontecem no primeiro mês de empréstimo. Ou seja, Bonomo e companhia usam especificações ruins (ou melhor, inadequadas) para modelar o impacto do BNDES. Não poderia esperar outro resultado que não o reportado pelos autores.

Terceiro, repare, mais uma vez, na equação estimada do impacto do BNDES no investimento. O que determina o investimento nesta especificação? Olha só, basicamente, o investimento defasado. O q de Tobin faz leve cócegas sobre o investimento e em apenas algumas poucas especificações (não em todas). Acha isso razoável? Passa, como diria Solow, no seu smell test? Para mim, essa equação não diz nada sobre o investimento das firmas no Brasil. Apenas mostra que firmas que investiram mais no ano anterior tendem a investir mais nesse ano. Fenomenal isso!

Enfim, poderíamos discutir um pouco mais, mas prefiro deixar você fazer o dever de casa antes de voltar aqui cuspindo artigos que sequer tratam do tema que estávamos discutindo.

Grande abraço,

Economista K

Alex,

Respeito mundo sua opinião, realmente acho você um dos melhores economistas do Brasil. Não à toa frequento religiosamente seu blog.

Mas, como você bem ensinou, devemos nos ater aos dados e à boa evidência antes de sairmos papagaiando teses como se fossem verdades.

De fato, o BNDES desembolsou bastante para grandes empresas (o que, aliás, quase todos bancos de desenvolvimento fazem mundo afora, como ficou claro no seminário do mês passado em Kuala Lumpur sobre o tema, conduzido pelo Banco Mundial). Mas isso não garante que o impacto do BNDES sobre a desigualdade tenha sido no sentido de piora. A depender da adicionalidade do investimento e dos empregos gerados, entre outros fatores, é possível que o impacto tenha sido no sentido de melhorá-la.

Também não sei, mas não acho correto colocar minhas convicções a priori como se fossem verdade por aí.

Abs

Economista K

Alexandre, desculpe minha ignorância, mas o Banco Central não colocou juros que favoreciam os mais ricos também, não? Ou as ações do Banco Central não têm consequências em termos de distribuição de renda? Beijo, Michelle