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quarta-feira, 4 de maio de 2016

A educação de Marcio Holland

O ex-secretário de Política Econômica de Guido Mantega tenta se justiçar do fracasso associado à Nova Matriz Macroeconômica, mas sem jamais admitir que estivesse errado. Para refrescar sua memória, certamente combalida pelo fiasco retumbante de sua política, segue uma comparação com melhores momentos de sua entrevista ao Pravda, perdão, Valor Econômico no final de 2012 (17 /12/2012).
Mais um exemplo gritante de honestidade intelectual nas hostes quermesseiras.

2016

Broadcast: O senhor está para publicar o livro “Economia do Ajuste Fiscal - Porque o Brasil quebrou”. E por que o Brasil quebrou?
Márcio Holland: Porque o País vive uma incapacidade de fazer resultados fiscais que reduzam a relação dívida bruta/PIB ao nível de 2014, por exemplo, em torno de 53%, 55% do PIB. Há uma incapacidade de geração de superávit não só hoje, mas no próximo ano e muito provavelmente em 2018 e 2019. (...) Porque ocorreu um colapso nas despesas públicas nos últimos anos. Mantidas as condições atuais de gastos e a estrutura de benefícios não podemos mais apostar em uma recuperação da economia que leve a um aumento de arrecadação que cubra os gastos.

2012

Valor: Quais são os outros aspectos da matriz macroeconômica?
(...) O terceiro aspecto da matriz é o que, internacionalmente, se chama de "consolidação fiscal amigável ao investimento e ao crescimento".
(...)
Valor: Em 2012, o governo não cumpriu a meta de superávit primário. Esse programa de investimento público não impedirá que a meta de 2013 também seja cumprida?
Holland : Em hipótese alguma. A política fiscal tem sido anticíclica. Há um efeito adicional: a cada ano, a base de arrecadação tem crescido por causa do aumento considerável da formalização do mercado de trabalho. A desoneração da folha favorece esse processo porque, agora, o custo do trabalho é menor. A inclusão social também ajuda. No ano que vem, voltamos à meta de superávit cheia, sem desconto [3,1% do PIB]. [Comentário: em 2013 o número oficial (“pedalado”, portanto), foi 1,7% do PIB]

2016

Broadcast: O governo fez escolhas equivocadas de políticas econômicas?
Holland: Algumas medidas anticíclicas que adotamos e que acabaram contribuindo para o agravamento da crise não precisariam ter sido tomadas se tivéssemos estatísticas de qualidade. Passamos quatro anos no escuro, achando que os investimentos no País estavam caindo porque as estatísticas do IBGE apontavam para taxas inferiores a 20% do PIB para todo o período que estivemos no governo. Só depois que descobrimos que os investimentos superavam os 20% do PIB. Mas já tínhamos adotado medidas anticíclicas fortes que não precisariam ser feitas. A culpa não são dos técnicos do IBGE, que aliás são de uma extrema competência. O problema é que no Brasil o governo vê as estatísticas como se fosse uma coisa secundária e não libera os recursos necessários para o IBGE fazer bem o seu trabalho.

2012

Holland :  (...) Estamos numa fase de expansão muito forte do investimento.
Valor: Mas como, se a Formação Bruta de Capital Fixo cai desde o primeiro trimestre de 2011?
Holland : O Brasil é um dos poucos países do mundo que têm uma expansão acumulada de investimento acima de 60% nos últimos oito anos. De 2004 até 2011, o país está entre os cinco com maior acúmulo de crescimento do investimento. Em relação ao PIB, a FBCF cresceu, nesse período, quase três pontos percentuais. A média anual de avanço no mesmo período foi superior a 6%, enquanto em muitos países houve recuo.

2016

Broadcast: Há muitas críticas às interferências do governo e do Ministério da Fazenda na economia.
Holland:
Claro, mas o que inicia uma queda do humor são as intervenções em taxas. Tanto que quando foram feitas as concessões, discutimos por mais de um ano se tabelaríamos ou não a TIR (Taxa de Retorno Interno). Depois que o assunto foi para a Fazenda houve efetivamente a ruptura desse paradigma e nós até fizemos bons leilões. Mas discussão de taxas nesse nível gera desconforto do setor privado.

2012

Valor: Como o senhor reage à crítica de que o investimento ainda não se recuperou porque os empresários estariam temerosos com o excesso de intervenção do governo na economia?
Holland : O empresário brasileiro não está com medo. Quem está com medo são aqueles que faziam aplicações financeiras de curtíssimo prazo no Brasil; aqueles que tinham concessões com tarifas e margens muito altas; os especuladores em geral. Não temos espaço para essa atividade daqui para frente. Temos conseguido feitos históricos, como a redução dos juros e o desincentivo da atividade especulativa. (...) Estamos trocando esses investidores.
Valor: De que forma?
Holland : Trazendo investidores para grandes projetos no Brasil. Certamente, isso mexe no status quo de alguns poucos, que fazem muito barulho. Montamos uma estrutura, ao longo desse período de transição para a nova matriz macroeconômica, de investimento público, novas concessões e estímulo ao investimento do privado, com redução de custos em vários níveis. Isso nos faz acreditar que a taxa de investimento crescerá daqui em diante, em média, duas vezes a velocidade do PIB. E a estrutura do investimento público está pronta.

2012

Valor: O senhor acredita ser possível sustentar a taxa de juros no patamar atual. Por quê?
Holland : Os investidores têm capacidade de calcular e fazer análise de retorno 12 meses à frente porque sabem muito bem que as taxas são altamente sustentáveis. Os juros não voltam aos níveis anteriores. Esta é a expectativa de todos os analistas. (...)
Valor: Por que tanta certeza?

Holland : Porque a inflação no Brasil se acomoda com capacidade impressionante. Há 13 meses, estava acumulada em 7,31%. Os analistas falam agora em 5,5% para este ano, num cenário de choque de preços...[Comentário: foi 5,84% naquele ano e 5,91% no ano seguinte]. 

Gastamos porque achávamos que o investimento estava caindo
Mas pensávamos que estava subindo
Aí os empresários ficaram com medo da gente
Mas só queríamos assustar os especuladores

26 comentários:

Só um toque: os textos realçados ficaram muito difíceis de serem lidos pelo telefone celular. Amarelo e branco os tornaram praticamente ilegíveis. No mais, excelente texto pegando as contradições e a "ensaboada" na hora de assumir responsabilidades.

Sobre seu artigo, hoje, na Folha, como sempre irretocável, eu tinha pra mim que o Governo Sir Ney(Millor) ganhava de todos. Funaro, Fiscais do Presidente, Cruzado I, Cruzado II, Moratória Dívida Externa (fev/87 - set/88), Plano Bresser, Plano Verão, Inflação de 80% ao mês, ao apagar das luzes...
Enfim, nesse campeonato, deve ser, mesmo, difícil escolher o campeão.

Vencer "os especuladores" era o problema! Muito voluntarismo e incompetência. Realmente temos que cobrar dos formuladores e apoiadores da NME. Esse caras não podem ficar tentando tirar o corpo fora do desastre que foi criado deliberadamente.
Pensando bem, o NME ajudará a limpar a política. Foi quase uma troca justa.

Alex, você acha que a estratégia de cuspir nesse tipo de gente é justa ou merecem coisa pior?

"você acha que a estratégia de cuspir nesse tipo de gente é justa ou merecem coisa pior?"

Acho que cuspir é coisa do Lhama de Abreu; eu prefiro expor as cretinices e deixar o leitor julgar.

"Foi quase uma troca justa."

Boa...

Alex,

João Sicsú, acho que professor da Federal do Rio de Janeiro, costuma argumentar que ajuste fiscal é aquele que se faz aumentando gasto, pois isso amplia a arrecadação. Não sei o que acha a respeito. Eu achei intuitivo, mas não sou economista. Abs, Cesar

"João Sicsú, acho que professor da Federal do Rio de Janeiro, costuma argumentar que ajuste fiscal é aquele que se faz aumentando gasto, pois isso amplia a arrecadação. "

E comer muita feijoada todo dia faz emagrecer, porque precisamos acelerar o metabolismo para digerir a gordura...

Pense 10 segundos: se isto fosse verdade, haveria problema de dívida pública no mundo?

Regra: toda afirmação do Sicsú é uma cretinice; se ele,disser que está com fome, cortem a comida dele...

Boa tarde,

Nos idos de 2001, cursando mestrado à época, tive o desprazer de presenciar uma apresentação desse picareta, Márcio Holland, no encontro da Anpec. Quando vi que essa figura fazia parte do governo e com um cargo importante, fiquei boquiaberto. Foi difícil de acreditar. Naquela época ele era um puxa-saco dos economistas mais conhecidos, e competentes, naquele encontro.

"João Sicsú, acho que professor da Federal do Rio de Janeiro, costuma argumentar que ajuste fiscal é aquele que se faz aumentando gasto, pois isso amplia a arrecadação."

Curva de Sicsú.

E o PRAVDA? não vai fazer uma limpeza ,aproveitando o pais pós Dilma e(com muita sorte) pós PT?

http://www.valor.com.br/opiniao/4551661/temer-e-os-servicos-publicos

O que achou desse artigo, Alex?

Na PUC-SP houve um curso de verão sobre economia austriaca,inclusive com um debate entre André Perfeito e Helio Beltrão.É possível organizar esse evento no Insper,o senhor toparia participar de algum debate?

"É possível organizar esse evento no Insper,o senhor toparia participar de algum debate?"

1) Não sei, precisa ver com quem cuida destas coisas lá, mas acredito que deve haver interesse;

2) Eu não conheço o suficiente para participar de um debate

A sua vida é atacar a honra de economistas sérios:Oreiro,João Sicsu,Nassif,Mantega,Holland,Nelson Barbosa,Tombini.Seus colegas de profissão todos tem culpa no cartório e o senhor não critica nada deles.

O senhor ao invés de fazer analise econômica,faz juízo de valor.É preciso respeitar o contraditório,coisa que o senhor não faz.

"A sua vida é atacar a honra de economistas sérios:Oreiro,João Sicsu,Nassif,Mantega,Holland,Nelson Barbosa,Tombini."

Minha vida é andar por este país
Pra ver se um dia descanso feliz...

"O senhor ao invés de fazer analise econômica,faz juízo de valor.É preciso respeitar o contraditório,coisa que o senhor não faz."

Eu não respeito o cretinatório...

Eles são doutores e não se critica um doutor de maneira truculenta como o senhor faz.

Será que eu os machuquei com minha grossura?

Se eles são doutores, isso aí é só mais um ponto que demonstra o baixo nível de preparo deles. Se mesmo com doutorado eles vem querer repetir as experiências do Rui Barbosa e do Geisel, então isso mostra que ter doutorado não significa nada, já que eles sequer conhecem a história econômica do próprio país e os desastres que essas políticas causaram.

Os caras conseguem causar dois anos seguidos de recessão de quase 4%, fazer a renda voltar para o nível de 2006, sumir com milhões de empregos, violar a Lei de Responsabilidade Fiscal e vem o fulano aí reclamar que não se pode expor isso.

Enquanto isso, o Palocci, que nem economista é, e fez uma excelente política econômica na época do Lula. Um leigo na Fazenda fez muito melhor do que esse time de "doutores" e o anônimo aí diz que eles não podem ser chamados de incompetentes.

Alex, não sei como tu aguenta essa galera que não pensa.

A vida do Alex é criticar o Oreiro,João Sicsu,Nassif,Mantega,Holland,Nelson Barbosa,Tombini - e a vida dessa turma é afundar o país.

Prefiro ficar do lado do Alex do que do lado desses outros. Pelo menos, a linha de pensamento do Alex não faz o país ficar mais pobre.

Eles são doutores do engano e do tirar corpinho de fora quando o bicho(provocado por eles mesmos) pega.

As pessoas confundem duas coisas:

1- Ser doutor em Economia

2 - Ter doutorado em Economia.

Na situação 1 se encaixa Marcos Lisboa e Gustavo Franco

Na situação 2 se encaixa o Mercadante e o Sicfú.

Alex, pq compara o valor economico com o Pravda? Acha o VE chapa branca?

Não acho nada; tenho apenas certezas...