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terça-feira, 19 de outubro de 2010

O IOF funciona?

O IOF funciona?

Eu diria que não, mas acho sempre interessante perguntar para Sua Excelência (a evidência empírica) o que ela tem dizer a respeito.

A história completa está num relatório que escrevi com a Tatiana Pinheiro, mas essencialmente testamos se a introdução do IOF implicaria uma alteração na trajetória de taxa de câmbio (nominal), dadas as trajetórias das demais variáveis. O que se segue aqui é uma versão (bastante) resumida do trabalho.

Nosso modelo parte da paridade descoberta da taxa de juros, isto é, da arbitragem de taxas de juros, que sugere que a diferença entre taxas locais e externas deve refletir a depreciação esperada da moeda. Assim, dada a expectativa da taxa futura de juros (e(t+1)), um aumento do diferencial de juros deveria apreciar a taxa corrente (relativamente à esperada). Da mesma forma, dado o diferencial de juros, movimentos da taxa esperada de câmbio deveriam se manifestar sobre a taxa corrente.

Mas o que determina a taxa esperada? Se há uma tendência da taxa de câmbio retornar aos valores de equilíbrio, a taxa esperada deve estar mais próxima da taxa de equilíbrio do que a taxa corrente. Nesse caso, a taxa esperada deve refletir termos de troca, assim como o apetite internacional por ativos locais. (Deveria também incluir uma medida do passivo externo do país, mas isto não deve fazer muita diferença num horizonte de poucos anos de estimação em freqüência diária, de modo que deixamos de lado esta variável)

Note-se, porém, que estes são os determinantes da taxa multilateral de câmbio (i.e., do real contra uma cesta de moedas). Se, porém, estamos interessados na taxa de câmbio contra o dólar, temos que incluir na história uma medida da taxa de câmbio do dólar contra as demais moedas (de preferência, sem o real, é claro).

Assim, podemos exprimir a taxa de câmbio esperada como função de termos de troca (usamos o CRB para capturar termos de troca), apetite por risco (medido pelo VIX), e pela taxa de câmbio do dólar contra uma cesta de moedas (o DXY). O modelo exprime, então, a taxa corrente de câmbio como função destas variáveis, bem como do diferencial de juros.

Os sinais esperados das elasticidades estão resumidos na tabela abaixo.


Para testar a eficiência do IOF adotamos dois enfoques: alteração do intercepto e alterações das elasticidades. No caso de alteração do intercepto estimamos a seguinte expressão.

O coeficiente associado à dummy deveria ser positivo e significante, caso o IOF realmente tivesse impacto sobre a taxa de câmbio. Como houve duas experiências com o IOF, estimamos um modelo com uma dummy para as duas experiências, e outro com uma dummy para cada experiência.

Abaixo mostramos um exemplo de alteração de elasticidade relativa ao diferencial de juros. Nesse exemplo em particular espera-se um coeficiente positivo e significante, caso o IOF tenha efeito, reduzindo a sensibilidade do câmbio ao diferencial de juros.


Há questões econométricas relevantes, como a presença de raízes unitárias nas séries (que, afortunadamente, cointegram, implicando resíduos estacionários). Há também um problema de endogeneidade, pois a taxa de juros afeta a taxa de câmbio, mas também é afetada por ela. Para lidar com endogeneidade usamos GMM, utilizando como variáveis instrumentais os valores correntes do CRB, VIX e DXY (que são variáveis exógenas, afetando o câmbio, e, portanto, o diferencial de juros, mas não são afetadas nem pelo juro, nem pelo câmbio no Brasil), além do diferencial de juros defasado. Os testes também descartam sobreidentificação.

Os resultados aparecem na tabela abaixo (sim, deste tamanho fica ilegível, mas clicando na tabela ela aparece com o tamanho orginal), onde apresentamos também, para fins de comparação, os resultados da estimação por Mínimos Quadrados Ordinários (OLS). As porcentagens são os p-valores.


Note-se que os sinais (refiro-me aqui ao GMM) vieram de acordo aos esperados e significativos, sugerindo elevada sensibilidade a preços de commodities, ao valor do dólar, e ao diferencial de juros (nem tanto com relação ao VIX, ainda que significativo).

Por outro lado, nenhuma dummy (seja intercepto, seja elasticidade) se mostrou significativa, sugerindo que os efeitos do IOF não são relevantes para determinação da taxa de câmbio. Se estamos numa guerra cambial, o IOF seria, no máximo, um estilingue.

Assim falou A Evidência.(Ou, pelo menos, até que apareça alguém com uma evidência diferente).

48 comentários:

O IOF causa distorção na alocação de recursos?

Pai Alex.

Alex, o estudo completo está disponível em algum lugar?

O que vc acha da declaração do ministro de que o déficit fiscal não está afetando o câmbio?

Um abraço!

"O IOF causa distorção na alocação de recursos?"

Sem dúvida, como qualquer imposto. Mas qual a distorção e qual a magnitude da coisa eu não sei. Sugestão?

Abs

"Alex, o estudo completo está disponível em algum lugar?"

Mande um e-mail para

alexandre.schwartsman@hotmail.com

"O que vc acha da declaração do ministro de que o déficit fiscal não está afetando o câmbio?"

Comentei brevemente no post abaixo.

Abs

Alex,

Você sempre bate na tecla de que a política fiscal seria grande responsável pela apreciação cambial. Neste caso, nao seria interessante incluir alguma variável representando a política fiscal na regressão?

Abs,

Paulo

Paulo:

Na verdade, bato na tecla que a política fiscal é (quase) o único instrumento de política que temos para depreciar a moeda.

De qualquer forma, a política fiscal influencia o diferencial de juros e o diferencial influencia a taxa de câmbio.

Abs

Alex

alex:

desculpe usar a caixa de comentarios deste post para outro assunto.

vc acha que o krugman tem razao neste post? http://krugman.blogs.nytimes.com/2010/10/19/china-raises-rates/

nao é o contrario do que ele afirma?

e neste outro, mais antigo, o raciocinio dele estava ok?

http://krugman.blogs.nytimes.com/2010/09/15/is-real-appreciation-in-emerging-markets-a-problem-wonkish/

é isso, se achar que não é o caso, é só deixar pra lá.

grato,
sgold

Alex vcs no banco já detectaram variações significativas de preços de ativos a nível global? Com a atual política do FED deveremos ter logo logo algum choque de preços de ativos. As commodities metálicas tem subido muito, mas tem um componente de demanda chinesa que justifica. O ouro tem tido uma alta bem expressiva, mas e o resto? Se voltarmos no tempo o 1º choque do petróleo teve um componente político forte devido aos conflitos árabes-israelenses, mas não nos esqueçamos que houve a mudança do padrão monetário do dólar que abandonou o padrão ouro um pouco antes.

Alex,

"Note-se que os sinais (refiro-me aqui ao GMM) vieram de acordo aos esperados e significativos".

O p-valor do diferencial está indicando o contrário.

Abs

Leo:

Eu me referi apenas à coluna GMM.

É verdade que, nos modelos com as dummies, o diferencial (ainda que, quase sempre, com o sinal esperado) não parece significativo. Mas, como as próprias dummies não parecem significativas, eu me concentro só no GMM sem dummies.

Abs

Alex

Ok,

Quanto no GMM sem dummies, o beta 4 é estatisticamente diferente de 1?

Lucas diria que tal modelo não reflete o comportamento dos agentes com a alteração do IOF.
Ainda mais que a alteração no IOF sinaliza um comportamento diferente da fazenda e bacen, ou seja, maiores intervenções no mercado de câmbio.
Acho difícil que isto não seja precificado.

abs

Esse modelo está muito heterodoxo. Onde está o agente representativo? E as condições de maximização?

Esses modelos agregativos baseados em identidades contábeis morreram em 1973.

Alex,

Descartar o modelo com dummy pois ela se mostra não significativa é completamente válido. Agora, não me parece muito menos válida a conclusão que o IOF influencia o efeito do diferencial de juros. Embora eu concorde com sua conclusão (baseado em minhas crenças), acho que nossa amiga A Evidência ainda está um pouco relutante em nos cravar uma resposta.
Abs,
Fernando
PS: Como vc definiu as dummies?

Também não creio que o IOF seja o fator determinante para uma apreciação da moeda nacional; mas, acho o aumento de sua taxação válido para o momento especial que nos encontramos, a despeito, de ser mais um problema norte-americano do que nacional.
Não creio nisto: 'paridade descoberta da taxa de juros, isto é, da arbitragem de taxas de juros, que sugere que a diferença entre taxas locais e externas deve refletir a depreciação esperada da moeda.'
Acho um erro tentar a precificação de algo, mediante a estatística e fórmulas, que envolve mais do que a dinâmica das ciências exatas.
Para mim o efeito 'Lula' na campanha eleitoral 2002 é um exemplo desta distorção entre precificação de moedas baseadas nas taxas de juros.
No longo prazo, convergem, atuando dentro da 'evidência empírica'; isto é bom para quem é pesado e precisa de chão para trabalhar.
Achei instrutivo o artigo do Delfim que saiu no Valor Econômico na data de ontem.
Capital e arbitragem se fundem; instituições internacionais, mediante um acordo, devem promover uma melhor regulação sobre os agentes de mercado.
Jayme, creio que o Alex não possa comentar o teu post, devido à profissão e formação dele e à publicidade do espaço; aqui nunca vi ninguém discorrer sobre portfólio ou investimentos; é coisa para analista, no momento e local apropriados.
Abração.

"Quanto no GMM sem dummies, o beta 4 é estatisticamente diferente de 1?"

Boa pergunta Leo. Tento voltar com uma resposta logo.

"Esses modelos agregativos baseados em identidades contábeis morreram em 1973."

Ô papagaio: cadê a identidade contábil?

Precisa estudar mais um pouco para saber do que está falando.

" Agora, não me parece muito menos válida a conclusão que o IOF influencia o efeito do diferencial de juros. Embora eu concorde com sua conclusão (baseado em minhas crenças), acho que nossa amiga A Evidência ainda está um pouco relutante em nos cravar uma resposta."

Fernando:

confesso que não entendi. Se o IOF afetasse a resposta da moeda ao diferencial de juros (no sentido de reduzí-la, isto é, para o mesmo diferencial de juros a apreciação seria menor), o beta 5 na última coluna deveria ser positivo (porque beta 4 é negativo) e signficante. Não é uma coisa, nem outra, isto é, Sua Excelência se pronunciou (à moda dela, é claro), dizendo que o IOF não afeta a resposta da moeda ao diferencial de juros.

Era essa a pergunta?

Abs

Alex

"Esse modelo está muito heterodoxo. Onde está o agente representativo? E as condições de maximização?

Esses modelos agregativos baseados em identidades contábeis morreram em 1973"

Prezado Anônimo,

Por incrível que possa parecer, dada a simplicidade, as paridades (coberta e descoberta) decorrem de várias hipóteses subjacentes.

Da racionalidade e concorrência vem a arbitragem, fundamental para que valha a igualdade.

E, ainda mais, para derivar a paridade descoberta clássica, conforme exposta pelo Alex na primeira equação, também se pressupõe expectativas racionais e agentes neutros ao risco.

Então, nem em sonho isso é uma identidade, tanto que há uma vasta literatura testando essas condições. Não sei de onde você tirou essa pérola.

Abs

Alex, quando vc vai começar a twittar?

O genial @oclebermachado diria que o problema do câmbio é pontual, mas não é, porque é estrutural.
Vcs concordam?

Pai Alex.

Alex,

Como o IOF não resolve o problema será que:

Supondo que o fiscalista ganhe no dia 31, pois já que é Halloween nada mais justo que queimar a bruxa nas urnas.

Assumindo que o vampiro (até hoje não entendi por que apelidaram ele disso, pois o que ele tem é insônia) anunciasse que:

1) reduziria os cargos em comissão de 25.000 para 2.500.

2) que não compraria os RAFALLE (é assim que escreve?).

3) Definiria um gabinete com pessoas como o Malan, Armínio, Parente e outros com boa capacidade intelectual, gerencial e ética.

4) cortar as despesas violentamente por dois anos até atingir deficit nominal zero.

5) que iria privatizar portos, aeroportos e o que mais fosse possível.

6) Parar as obras do PAC que nem foram iniciadas.

7) Parar as obras do PAC em andamento para revisão.

8) Cancelar ou não executar o trem bala.

9) Fechar as embaixadas e consulados em países que não tivessem relevância comercial.

10) Abandonar o Mercosul.

Esses fatos e as possíveis economias que eles representam não seriam o suficiente para reduzir os juros futuros e criar uma expectativa de mercado que teria um efeito igual ou maior que essa inutil politica de IOF?

"Esses fatos e as possíveis economias que eles representam não seriam o suficiente para reduzir os juros futuros e criar uma expectativa de mercado que teria um efeito igual ou maior que essa inutil politica de IOF?"

fora que seria muito mais fácil politicamente, certo?

Brandão,

O que eu ouvi e li até o momento foi 13º para o bolsa família, mínimo de R$ 600 e que o cambio assim não dá...

estão mais para wishful thinking suas colocações..


Doutrinador

Angelo às vezes esqueço o cargo que o Alex ocupa, isso é coisa de quem conviveu em outros ambientes que permitiam isso. De qualquer forma não perguntei em termos de querer uma dica de analista, confesso que me expressei mal. Minha pergunta era no sentido dos impactos dessa política monetária maluca, ou desesperada, que o FED está adotando. Creio eu que em algum momento teremos impactos nos preços dos ativos, pois a referência de reserva de valor do dólar tenderá a diminuir ou sumir.Creio que só não estamos vivenciando, ainda, um processo de escalada de preços em decorrência da crise que atinge boa parte dos países desenvolvidos, que aliás, estão ao contrário dos EUA adontando políticas fiscais contracionistas. Espero ter me explicado um pouquinho melhor. Como estou muito afastado do mundo acadêmico procurei não tecer nenhuma opinião sobre o modelo apresentado pelo Alex, só me lembrei de nossa época pré-histórica de FEA, onde tinhamos que ir rodar modelos naquele computador da Poli, que era uma tranqueira, para rodar um modelo como esse demoraria dias só para alimenta-lo com os dados.

Doutrinador,

Eu sei que o insone fiscalista está prometendo aumentar o mínimo, aumentar as aposentadorias e concede o décimo terceiro ao bolsa família (essa é eu realmente acho um absurdo), mas se o governo por exemplo se desfizer do que tem em investimentos via BNDES, BNDEspar e outra empresas como Embraer, Vale, etc...
Somando isso com a privatização dos 30 aeroportos mais importantes, os outros 37 é claro terão de ser atrelados aos que dão lucro, assim como fizeram na telefonia, mais os portos, mais a EBC, mais o desmonte da Infraero, Empresa Brasileira de Telecomunicações (TV Brasil), Telebras e por aí vai, certamente a redução do deficit fiscal, entregar a copa de 2014 para e Europa (já que não vai ser no Morumbi a abertura o Alex não vai reclamar), os Jogos Olimpicos para os Estados Unidos e vamos focar em arrumar a casa até 2020 aí sim poderiamos pensar em eventos dessa monta, claro que depois de ter implementado voto distrital e voto não obrigatório e que ex-presidentes não mais podem se candidatar a nenhum outro cargo, eles serão eternamente ex-presidentes.

Você aceita dessa forma?

Luiz

Luiz Brandao, em que planeta você vive. Sem entrar no mérito de que essas coisas sejam realmente as necessárias, com que base politica institucional você acha que um possível governo Serra poderia dar tal guinada? Se olharmos a história veremos que o PT evitou guinadas radicais (sobretudo em termos de politica economica) porque estaria dando tiros nos pés, não seria diferente com o Serra, que teria que, além de lidar com pressões sociais a respeito desses temas (inclusive os tais eventos esportivos que têm componente simbólico), teria que manobrar o PMDB. Dar essa guinada tendo o PMDB por perto é, a meu ver, simplismente impossível.

Alex,

Que tal retirar da taxa de juros doméstica o valor referente ao IOF, e ver se essa regressão tem R2 ligeiramente maior do que a regressão anterior sem Dummy?

Abs

Caro Brandão,

Alguém que toma uma bolinha de papel na cabeça e vai pro hospital fazer tomografia não tem guts e nem poder para fazer 1/10 das coisas que você sugeriu...

Você sabe, o Alex e o Tio O sabem, eu sei disso..por mais que gostariamos que fosse diferente.

Abraço,



Doutrinador

"Que tal retirar da taxa de juros doméstica o valor referente ao IOF, e ver se essa regressão tem R2 ligeiramente maior do que a regressão anterior sem Dummy?"

Digamos que sim. Como vou saber se é estatisticamente signficante? Em outras palavras, qual a distribuição do R2 para podermos fazer inferência?

Alex, você me apertou agora.

Há tempos não pensava sobre isso. Sob risco de falar grandes bobagens lá vai:

O R2 deve ser uma chi2 ou uma F, algo do tipo. Mas isso pouco deve importar, pois só temos uma realização dos dados e, portanto, apenas uma observação de R2. Independentemente da distribuição, não seria possível fazer qualquer inferência, certo? Sugeri a mudança pela seguinte analogia: poderíamos escolher um período qualquer da amostra e acrescentar ao juro doméstico uma constante. A partir daí faríamos a regressão incluindo a dummy da constante que adicionamos à taxa doméstica (sinalizando um IOF, de modo a deixar o diferencial real inalterado). Como o verdadeiro diferencial é o valor descontado de nosso pseudo-iof, sabemos que esse valor influencia o valor corrente do câmbio. Mas, será que o nosso beta da dummy seria estatisticamente significante?

Que acha?

Abs

Em outras palavaras, a variância da dummy é de variável binária enquanto o efeito do IOF é de uma mudança de nível do diferencial de juros, em que o valor cardinal importa, impactando de maneira quantitativamente diferente da variável dummy.

Abs

Doutrinador

Alguém que toma uma bolinha de papel na cabeça e vai pro hospital fazer tomografia não tem guts e nem poder para fazer 1/10 das coisas que você sugeriu...

Essa você catou do esgoto. Ou seja, um argumento de merda.

Menos, cara.

Nesses momentos, gosto sempre de relembrar Eric Auerbach em sua aguda crítica à técnica de propaganda ativada pelos nazistas com muita eficácia e precisão, como sabemos.

Comentando a propaganda nazista, ele diz que ela é uma “técnica do holofote”, consistindo em iluminar apenas uma das cenas de um complexo desenrolar de acontecimentos para convencer que o foco que ilumina é toda a realidade.

Nas palavras de Auerbach, a técnica do holofote “consiste em iluminar excessivamente uma pequena parte de um grande e complexo contexto, deixando na escuridão todo o restante que puder explicar ou ordenar aquela parte, e que talvez serviria como contrapeso daquilo que é salientado; de tal forma diz-se aparentemente a verdade, pois que o dito é indiscutível, mas tudo não deixa de ser falsificado, pois que, da verdade faz parte toda a verdade, assim como a correta ligação das suas partes.” (Mimesis)

Com a “técnica do holofote”, toda a verdade do fato fica, assim, reduzida ao simulacro “técnica Rojas” e "bolinha de papel". Mas, está aí toda a verdade? Claro que não. O que aconteceu no RJ deve ser ordenado não com os fatos do goleiro chileno, mas sim com a lógica fascista que acha normal e necessário agredir fisicamente o inimigo. Em caso não tão recente e mais notório, vamos relembrar o que fizeram com Mário Covas em São Paulo. Exemplos factuais com idêntica natureza, que operaram com a mesma lógica que ordenou a agressão a Serra, são fartos na história do petismo. Repito o que disse em outro momento: o fascismo prospera no PT.

Tornar a agressão ao candidato à presidência da república uma piada e, desse modo, ocultar a natureza fascista do ato de agressão, é escolher um lado. Não há neutralidade ou distanciamento intelectual possível com o fascismo.

E isso tudo é muito antigo e está na origem do PT.

A luta política e a lógica fascista do amigo-inimigo e o verdadeiro petista.

[O partido é] “capaz de conviver com a adversidade [parece que Lula queria dizer “diversidade”] com companheiros em disputa política interna, mas que se consiga definir seus INIMIGOS EXTERNOS. Isso é ser um verdadeiro petista”. (Lula. Entrevista ao jornal Folha de São Paulo em 29/12/1985)

“Eu não quero ser o dono da verdade, o senhor da razão. [Mas] eu tenho uma verdade que está subordinada à verdade coletiva”. (Idem)

Qual a verdade coletiva do PT?

Sobre a campanha do segundo turno...
Ela está marcada, nos dois lados, pela deturpação do que o adversário diz, sensacionalismo barato, análises superficiais/equivocadas, messianismo...
Algo diferente era para ser esperado numa briga entre dois "filhos da UNICAMP"?

paulo,

não entro nessa guerrinha PSDB x PT, deixo pra você funcionar nesse sistema binário rudimentar

com relação ao seu argumento: o pt ser isso ou aquilo não muda o fato da falta de poder/vontade do candidato oposicionista de promover as mudanças sugeridas pelo amigo Brandão

isso dito, se ao longo de todo esse tempo você ainda não percebeu que nesse jogo todos os gatos são pardos, sinto lhe informar, mas é você quem está com a mente no esgoto


abraço,


Doutrinador

Doutrinador

Você diz que não entra em guerrinha de "bolinha de papel", mas referiu-se a ela para argumentar e atacar. Sei. Então, tudo está explicado, ou melhor, justificado, não é?

Este comentário foi removido pelo autor.

Jayme, antes disto, creio eu, vem um afrouxamento quantitativo.
Minha opinião é de que vivemos um momento crítico, sob o ponto de vista econômico. Acho que as economias centrais tenderão a se tornar menos centrais,...
Sucesso.

Doutrinador

"isso dito, se ao longo de todo esse tempo você ainda não percebeu que nesse jogo todos os gatos são pardos, sinto lhe informar, mas é você quem está com a mente no esgoto."

Na juventude, Diderot sustentou-se com aulas particulares de matemática. Ao longo de sua vida ele foi um defensor incansável do ensino da geometria como um poderoso corretivo da linguagem e do raciocínio. Ele era contrário que o ensino da retórica precedesse o das matemáticas. A retórica sem o corretivo da linguagem é apenas ruído irritante: “a arte de falar antes da arte de pensar, e a do bem dizer antes que a de ter ideias”.

O,

Ele é tudo menos bom de briga?


paulo,

você está tangiversando :)

até agora não me disse se realmente acredita que o serra é capaz de fazer qualquer uma das propostas sugeridas pelo Brandão acima...

um abraço para você e seu amigo Diderot,



Doutrinador

Doutrinador

Você ordenou naquele seu comentário coisas que não têm entre si qualquer relação. Não gostei e carreguei na mão. Meu objetivo era mesmo bater para jogar no chão. Então vamos lá:

1. A agressão da horda fascista ao candidato da oposição à presidência da república. Você mantém o que disse, fazendo coro com os fascistas? Ou você reconhece que foi, no mínimo, infeliz ao sacar como argumento de ataque a “bolinha de papel”?

2. Quanto às propostas econômicas do candidato do PSDB, elas por suposto são coerentes com o que conhecemos a respeito da história do Serra. O meu limitado conhecimento na matéria aliado ao que já senti na pele vivendo no Brasil me fazem cético quanto ao que ele propõe (mínimo R$ 600,00, 13º no Bolsa e 10% para os aposentados. E o que ele já disse a respeito do BC é temerário).

Gatos podem ser pardos, rajados ou brancos. Para mim a questão não está na cor, mas no como eles caçam ratos. Enfim, a diferença entre os gatos está no trato que dão às nossas frágeis instituições quando vão caçar ratos. Então, isso me faz preferir o gato pardo do PSDB. Na política, a prudência aconselha o governado a escolher o governante que tem menos potencial de dano para a vida livre dos cidadãos. Sou realista e cético. Não sou ingênuo e nem sou Cândido.

No meu círculo íntimo familiar e de amigos não tenho problema com que vai anular o voto ou com quem votará em Dilma. O que há aí são indivíduos soberanos para decidir o que fazer no dia 31.

Só não me venham sacar mentiras para justificar decisões. É mentira que Serra fingiu uma agressão e é verdade que houve agressores. Estes, no meu entendimento, agiram como hordas fascistas emuladas por seus chefes fascistas. Estes, operam hoje na política com a mesma lógica que produziu no século XX os totalitarismos. O PT desde a origem choca e zela os ovos dessa serpente. E isso, convenhamos, não se vê no PSDB. Então, meu caro, que se dane o “mínimo populista”. Na minha ordem de valores, Serra na presidência é um mal infinitamente menor. Logo, terá o meu voto contra o mal maior. Fui suficientemente claro?

PS: Estive com Diderot durante a tarde, em Argenson. Ele pediu que lhe mandasse lembranças. Se quiser conhecê-lo, não será difícil encontrar o libertino, por volta das cinco da tarde, em putarias no Palais-Royal.

Qu’il fasse beau, qu’il fasse laid, c’est mon habitude d’aller sur les cinq heures du soir me promener au Palais-Royal. C’est moi qu’on voit, toujours seul, rêvant sur le banc d’Argenson. Je m’entretiens avec moi-même de politique, d’amour, de goût ou de philosophie. J’abandonne mon esprit à tout son libertinage. Je le laisse maître de suivre la première idée sage ou folle qui se présente, comme on voit dans l’allée de Foy nos jeunes dissolus marcher sur les pas d’une courtisane à l’air éventé, au visage riant, à l’oeil vif, au nez retroussé, quitter celle-ci pour une autre, les attaquant toutes et ne s’attachant à aucune. Mes pensées, ce sont mes catins.

Doutrinador,

"tangiversando" hehe

Foi de propósito, um neologismo, do tipo tergiversar pela tangente, ou era para ser tergiversando?

Mas e IOF, pessoal?

Abs

Angelo, concordo com voce que estamos em um momento de mudança na economia, não sei se tão radical a curto prazo, mas dramático sem dúvida. Confesso que para mim a China é uma enorme incognita, não vejo como sustentável o seu modelo por inúmeros motivos. Não descarto inclusive uma onda de protecionismo mundial, pois a China usa os instrumentos de comercio internacional só a seu favor e está destruindo empregos pelo mundo a fora. Sucesso para você também.

“com relação ao seu argumento: o pt ser isso ou aquilo não muda o fato da falta de poder/vontade do candidato oposicionista de promover as mudanças sugeridas pelo amigo Brandão”

Eu discordo. O Serra é o professor universitário que virou secretário do Franco Montoro e derrubou um filho do Montoro de outra secretaria. O Serra pode ter outros defeitos, mas ruim de briga ele não é.

O doutrinador pegou uma escorregada de discurso minha, eu deletei a mensagem e re-postei-a (vixe, dois hífens!) sem o erro.

"O",
Com todo respeito, essa foto está ótima.

Jayme, eu imagino quando a China tiver condições, como já principiou a fazer, de exportar produtos de alto valor agregado e com qualidade idêntica às melhores do mundo. Além de usar, politica e economicamente, a exportação de minérios raros a seu favor.
Acredito que ela não deva crescer, no ritmo de 8,5 a 9% a.a., por mais tempo - é o meu chute. Há uma bolha imobiliária lá, e o governo chinês, sabiamente, já sinalizou sobre uma maior precificação sobre disponibilidade de crédito/capital.
Houve um pequeno aumento de juros, recentemente.
Desculpe se irá soar egoisticamente, mas, eu estou interessado, realmente, é em saber identificar a melhor ocasião para não possuir ativos sensíveis a uma má perspectiva econômica futura, e, se possível, acompanhar a direção desta deterioração.
É uma forma de se defender, e, se possível, obter um pequeno rendimento.

Angelo não tenho nada contra, a lógica do sistema é essa. Com relação à China, o que eu acho é que como ela não adota boas práticas de produção, seja pelo meio ambiente, seja pela questão trabalhista, além de um cambio subvalorizado, deveriam seu competidores erguer barreiras para compensar esses efeitos. Não sei se outros concordam com meu raciocínio, mas o macroeconomia não é tão relevante no caso da China,exceto pelo cambio, ela está minando seus conorrentes utilizando conceitos da microeconomia, ela destroi seus concorrentes e depois vai extrair o excedente quando estiver liderando a produção. Assim realmente no longo prazo estaremos todos mortos, ainda mais quando a curto prazo todos fecham os olhos.